2021: O melhor e o pior até agora para a redacção da LOUD! [vol. I]

O tempo parece que voa, e aqui estamos nós, já a atingir o ponto médio de 2021. Os balanços mais sérios, como de costume, serão feitos no final do ano, mas apesar das limitações que a pandemia continua a teimar em nos impôr, a verdade é que já houve uma quantidade assinalável de lançamentos para fincarmos os dentes durante a primeira metade deste ano. Assim, pedimos aos membros da nossa redacção para, de forma descontraída e sem pensarem demasiado nisso, nos dizerem aquilo que 2021 teve de melhor para eles em termos musicais até agora e, porque não, soltar alguma bílis escolhendo também o pior. Começamos pelas escolhas do Ricardo S. Amorim:

O MELHOR

GOJIRA
«Fortitude»
[Season Of Mist]

Não sei se «Fortitude» será o melhor disco de metal de 2021 até agora, tão-pouco se será o melhor disco dos GOJIRA, mas o facto é que terá sido aquele que maior impacto causou a um nível macro na nossa cena. França nunca foi um país com grandes bandas de metal, e recordo-me de receber o promo da Listenable Records de «The Link», o segundo álbum dos franceses, em 2003. Apesar de lhe reconhecer méritos, nunca me entusiasmou por aí além e achava que os SCARVE é que seriam a banda francesa a conseguir dar cartas no contexto europeu. Destes resta pouca memória, ficando como apenas mais um registo no CV de Dirk Verbeuren, hoje baterista dos MEGADETH, e os GOJIRA são o que são a nível mundial. Isto poderia ser uma admissão da minha incapacidade divinatória (que também o é), mas naquela altura não estava sozinho nessa opinião. Porém, «From Mars to Sirius», que surge dois anos depois, e que incluímos nos vinte discos mais importantes dos primeiros vinte anos da LOUD!, constituiu um passo de gigante para a banda dos irmãos Duplantier, e a sua carreira tem sido sempre em crescendo.

Naturalmente que com o aumento da popularidade começam a aparecer mais detractores (haverá indicador mais demonstrativo de sucesso?), especialmente a partir de «Magma», que foi por muitos considerado mais acessível e, por esse motivo, uma cedência ao exterior e ao que a indústria deles esperava. Além de discordar dessa leitura, creio que foi o disco mais audaz dos GOJIRA e no qual chegaram a um nível de composição superlativo, que tanto funciona nos grandes palcos como na intimidade dos nossos headphones. Grandes canções são grandes canções e os GOJIRA sabem fazê-las como poucas bandas na actualidade. O corolário dessa evolução é «Fortitude», que talvez não surpreenda tanto quanto «Magma», mas demonstra uma banda no limiar de grandes feitos, e que tanta falta faz ao metal. O facto de ter entrado para o primeiro lugar do top de vendas da Billboard, sendo o disco que mais vendeu nos Estados Unidos na semana do seu lançamento (e vendas notáveis na Europa também), poderá dizer muito pouco a quem praticamente só ouviu o novo dos GRAVE MIASMA desde que saiu, mas quanto mais bandas da dimensão dos GOJIRA (e GHOST, DEFTONES, MASTODON, SLIPKNOT e quejandos) forem aparecendo, mais público haverá mais tarde a rejuvenescer o underground. Por esse motivo, nomeio «Fortitude» já como um dos grandes discos de 2021. Além disso, porque “não tenho tempo para coisas sem alma”, como dizia Charles Bukowski, é especialmente gratificante ver que é uma banda que dá importância ao conteúdo e mensagem da sua música, que é pela tolerância, respeito e defesa de causas a ter este tipo de sucesso.

O PIOR

ICED EARTH
«Jailhouse Rock & Roll Hall of Fame»

Naturalmente que isto não é um disco, pois ainda não tive uma desilusão este ano que me levasse a escolher o pior disco do ano até agora, por isso fica o trocadilho com dois dos folhetins mais infelizes do semestre. Em primeiro lugar, toda a história de Jon Schaffer que foi detido depois de participar na invasão do Capitólio a 6 de Janeiro. Não pelo fulano, de quem a Justiça se encarregará, nem pela banda, que nunca apreciei mas nada tinha contra, mas pelo facto de muitos órgãos de comunicação social se referirem ao “músico de heavy metal” que fazia parte de uma milícia armada de extrema-direita, considerada uma organização terrorista. Já todos assistimos a este tipo de generalizações sensacionalistas, mas felizmente essa tentativa de um novo “satanic panic” (agora um “terrorist panic”?) não colou ou, se calhar, não interessou a alguns órgãos de comunicação social mais conservadores. Por último, o prego final no caixão da credibilidade do Rock & Roll Hall Of Fame ao não nomear os IRON MAIDEN em 2021, depois de os JUDAS PRIEST terem tido a mesma sorte no ano passado. É todos os anos a mesma merda, e sempre digo que nenhuma importância deveria dar a uma organização privada que vive de audiências televisivas e da bilheteira do museu, mas esta é uma injustiça que me dá particular coceira. Só no Jamor, a 31 de Julho do ano que vem, é que deve passar.