UMA VIDA EM TONS DE MAIDEN (capítulo VII): «SEVENTH SON OF A SEVENTH SON»

Apesar do merecido sucesso e reconhecimento de que os IRON MAIDEN gozam neste novo milénio, há muito tempo que os gigantes do heavy metal britânico não lançam um álbum consensual — leia-se, que agrade a toda a gigantesca base de fãs de forma a poder ser considerado um clássico. Na verdade, poderia dizer-se que o último álbum digno desse rótulo que editaram foi o triunfante concept «Seventh Son Of A Seventh Son», que foi editado a 11 de Abril de 1988. Desde que lançaram a estreia homónima em 1980, seguida do «Killers» logo no ano seguinte, e proclamaram a chegada da New Wave Of British Heavy Metal, os IRON MAIDEN embarcaram numa carreira sempre em crescendo, acelerando de uma forma exponencial a sua escalada em direcção ao sucesso mundial após a entrada do vocalista Bruce Dickinson e uma sequência notável de álbuns de sucesso — «The Number Of The Beast» em 1982, «Piece Of Mind» em 1983 e «Powerslave» em 1984. No ano seguinte, a banda lançaria o álbum-duplo ao vivo que definiu a década de 80, o «Live After Death».

Ao sexto álbum, os IRON MAIDEN dividiram pela primeira vez a sua base de seguidores. Apesar de ter vendido de forma consistente, o futurista «Somewhere In Time», de 1986, sofreu um pouco da exaustão provocada pelos exaustivos ciclos álbum-digressão-álbum-digressão em que tinham estado envolvidos ininterruptamente durante quase meia década — e as reacções menos positivas, por parte de críticos e cínicos, não se fizeram esperar. É, por tudo isso, compreensível que, quando chegou a hora de trabalhar no seu sucessor, até o sempre confiante Steve Harris estivesse reticente, apoiando-se mais que nunca em Bruce Dickinson e Adrian Smith para colaborarem no processo de composição.

Intitulado «Seventh Son Of A Seventh Son» o resultado desta sinergia afirmou-se não só como o primeiro trabalho conceptual dos IRON MAIDEN, mas também como o primeiro a incluir teclados e as canções mais progressivas que tinham gravado até então. No entanto, ao contrário do que se tinha passado no seu antecessor, estas novidades não beliscaram em nada a sonoridade da banda. O generoso uso de sintetizadores serviu essencialmente para criar ambientes e adicionar cores tonais ao som de guitarra distorcido (ao contrário dos sintetizadores de guitarra que confundiram muito boa gente no «Somewhere In Time») e, na sua globalidade, o material soava 100% metálico.

Em «Moonchild» e «The Evil that Men Do» a banda entregou autênticos cavalos de guerra aos fiéis do som eterno; no épico tema-título e em «Infinite Dreams», serviram ideias progressivas que constantemente empurravam o envelope da composição; em «The Clairvoyant» e «Only the Good Die Young», temas inseparáveis ​e essenciais para o enredo conceptual; e, em «Can I Play With Madness», um tema perfeito para airplay nas rádios. Até mesmo o guitarrista Dave Murray contribuiu com uma rara canção, intitulada «The Prophecy», majestosa e incluindo guitarras acústicas extravagantes.

O álbum estreou-se no primeiro lugar da tabela de vendas de álbuns no Reino Unido, tornando-se o primeiro disco do quinteto a ocupar esse lugar desde o «The Number Of The Beast». Nos Estados Unidos, chegou ao #12 da Billboard. O álbum foi acompanhado por uma digressão mundial bem-sucedida e, para todos os efeitos, deu o mote para a abordagem mais progressiva adoptada pelos músicos a partir de 2000 com «Brave New World», após o regresso de Dickinson e Smith à banda, depois de uma série de anos de ausência. Tantos anos depois, o «Seventh Son Of A Seventh Son» continua a ser o melhor conjunto de canções que os IRON MAIDEN já gravaram, um disco sem fraquezas ou falhas, fruto de uma banda no auge dos seus poderes criativos. E sim, a banda tem muitos clássicos inegáveis fora deste disco, mas nunca mais fez um álbum tão perfeito, do início ao fim, como este.