Mgła @ SWR FEAST, Barroselas | 29.04.2022 [reportagem]

E o festival aconteceu. Dois adiamentos, um sem número de alterações ao cartaz. Ainda longe de ser o que foi outrora, renasceu qual fénix numa versão mais reduzida sob o lema SWR FEAST. O SWR Café será exíguo para tantos? Aí está uma boa notícia. A SWR Arena, por vezes, revelava ter sido subdimensionada, como durante a actuação dos cabeças-de-cartaz do primeiro dia? Ainda melhor notícia. Afinal, o festival tem ainda mais relevo do que se pensava e, num momento em que cruzar o país pode bem ter uma fatura de transporte bem maior que o bilhete de dois dias, foram muitos os que ocorreram à chamada. Mais haveria se um surto do terrível bicho não tivesse deixado vários guerreiros entre quatro paredes. Muitos acederam a esta primeira noite, se calhar mais que a organização esperava. Certamente um número de assistência nos quatro dígitos. Nada melhor que isso para receber os quatro polacos dos Mgła no nosso país. Neste género de som, claramente que se perderá sempre na comparação com uma actuação num pequeno clube, como aconteceu no passado, mas a parede sonora, mas não monolítica, do grupo possui dimensão para ambos os espaços. A comunicação foi estritamente sonora. Um som talvez alto, com uma bateria a precisar de mais definição, mas isso é para quem gosta de se sentar em casa a ouvir e analisar todos os pormenores técnicos de Darkside. Ao vivo, prevalece a destruição, a avassaladora máquina sonora criada por M. Mais perto do black metal tradicional, que do blackgaze que lhes roubou a ausência de face, os Mgła conseguem introduzir melodia na sua música. Recordam-se da aterradora imagem de ‘Alien II’ em que a criatura se aproxima de Ripley e no último instante desiste de a devorar? É assim a música desta gente. Um iminente rolo compressor, que em alguns momentos abranda e traz a suavidade melódica, como a meio de «With Hearts Toward None I». Mesmo sem quaisquer palavras, nem sequer um agradecimento, o nevoeiro surgiu pesado, para depois desvanecer. Ao longo de dez temas, visitaram-se principalmente os últimos dois discos, numa discografia que começa a ser difícil de abordar de forma a agradar a todos. Uma excelente actuação, a marcar um cartaz em ano de ressurgimento.

ALINHAMENTO:

«Age of Excuse II»; «Exercises in Futility I»; «Exercises in Futility IV»; «Mdłości II»; «Age of Excuse V»; «With Hearts Toward None I»; «Age of Excuse IV»; «Exercises in Futility II»; «Exercises in Futility V»; «Age of Excuse VI»

Texto: Emanuel Ferreira
Fotos: Estefânia Silva