NÚMERO ACTUAL

Foram três longos meses em que a nossa carolice atingiu níveis estratosféricos, e em que tudo fizemos para vos continuar a trazer a LOUD! mensalmente, ainda que num formato alternativo e gratuito, tentando respeitar ao máximo o momento complicado por que estamos todos a passar. Durante esse período, no entanto, tínhamos os “eyes on the prize”, como se costuma dizer, e esse prémio sempre foi o regresso à nossa casa natural, àquilo que a LOUD! é, sempre foi, e que vamos tentar que seja durante o máximo tempo possível – uma revista impressa, disponível nas bancas, para comprar, manusear, levar para casa e (esperamos) coleccionar na estante. Antes de nos debruçarmos sobre o que a edição de Julho tem para oferecer, temos que agradecer a todos os que se mantiveram connosco, fazendo o download dos números da “trilogia da pandemia”, comentando e partilhando os posts nas nossas redes sociais, contribuindo para o nosso crowdfunding (que ainda está aberto, recordamos, porque continuamos, sem pudor, a precisar da vossa ajuda)… no fundo, vivendo connosco, diariamente, a música de que todos gostamos. Obrigado, e horns up a todos!

Seguindo então para a música, a LOUD! #232, que estará nas bancas já amanhã, dia 2 de Julho, assinala o regresso ao papel com música nacional em papel de grande destaque. Já são muitas as capas que fizemos com bandas portuguesas, e dá-nos sempre particular gozo quando mais alguma delas atinge um patamar que nos permite dizer, sem qualquer reserva, que sim, esta é uma “banda de capa”. É o caso dos GAEREA, entidade sombria formada no Porto em 2016, que desde o início se notou ter ali qualquer coisa que os diferencia do resto. Não fomos só nós a reparar nisso, e agora com o seu segundo álbum, «Limbo», este colectivo de mascarados chega a uma posição de amplo destaque internacional, fazendo inclusivamente parte das fileiras da gigante Season of Mist, juntando-se aos SINISTRO como representantes nacionais numa das editoras de música extrema mais importantes a nível mundial. Ao longo da extensa conversa que mantivemos com estes fantasmagóricos músicos, torna-se óbvio que não foi só pelo (muito) talento que estão onde estão, e muito menos por qualquer golpe de sorte ou magia negra. Ter sorte dá muito trabalho, como diz o ditado, e se há algo que se torna óbvio depois de ler o artigo de capa assinado pelo nosso Emanuel Ferreira, é que os Gaerea trabalharam muito para aqui chegar, servindo o seu planeamento e a sua dedicação também de exemplo para todas as outras bandas nacionais com ambições.

Para além dos Gaerea, há também toda uma colecção de grandes nomes a dar-vos as boas (re)vindas ao papel. Como por exemplo:

– Os Destruction, que em tempos de pandemia – que é, inevitavelmente, o pano de fundo principal à maior parte das conversas que temos com músicos hoje em dia – decidiram editar um álbum ao vivo que estava inicialmente previsto para mais tarde. A coisa parece estar a correr bem, e o carismático Schmier já admite seguir o «Born To Thrash» com mais volumes, um «Born To Thrash II» e um «Born To Thrash III», mesmo à «Alive» dos Kiss.

– Algo parecido com o que os MANTAR fizeram, só que o «Grungetown Hooligans II» não é um álbum ao vivo, mas sim um álbum de covers. Muito rock alternativo dos 90s, muito riot grrrl, tudo “Mantarizado” como só o popular duo alemão sabe fazer. Quem alguma vez sonhou em ouvir as L7 Official, os Sonic Youth ou os The Jesus Lizard em versão extrema, já sabe onde ir.

– Por falar em covers, também é o que os BPMD fazem na sua estreia discográfica. O nome da banda não parece muito excitante, até se perceber que são as iniciais do Bobby Blitz, do Mike Portnoy, do Mark Menghi e do Phil Demmel. Esta malta toda a tocar rock norte-americano dos anos 70, parece-vos bem?

– Já dos Primal Fear, não se esperava mais do que o costume, e dizemo-lo como enorme elogio. Não há cá vírus que pare a marcha do heavy metal dos germânicos, que até regressaram à Nuclear Blast, a sua “casa” mais emblemática, para a edição do novo «Metal Commando». Diz o Mat Sinner, que mesmo ao fim destes anos todos, quando ouve um grande riff ainda tem uma reacção física.

– Do novo álbum de grande Steve Von Till não se tirarão propriamente grandes riffs, mas o guitarrista dos Neurosis cada vez é um mestre mais refinado da arte da criação de atmosferas, de ambientes e de grandes canções, tendo sempre como base uma ligação profundamente espiritual à natureza. Para além disso, é dos gajos mais interessantes de entrevistar que existem, portanto nunca perdemos essa oportunidade.

– Não menos interessante é o Steve Moore dos Zombi, particularmente quando decide percorrer toda a discografia da banda em mais um Disco a Disco imperdível. Qual é o vosso favorito? O Steve diz que o «Shape Shift» foi o que lhe deu mais gozo fazer.

– Isto tudo, e ainda estamos só a raspar a superfície do manancial de conteúdo que a nova LOUD! tem para vos oferecer. Há peso para todos os gostos – o heavy metal dos Khemmis, o post-rock instrumental dos Long Distance Calling, o rock psicadélico dos Valkyrie, o sludge inteligente dos Vile Creature, o death metal rude dos Living Gate (com pessoal de Church Of Ra + Yob, parece-vos bem?), o punk de intervenção dos Strike Anywhere, é só escolher. E no Tesourinho Pertinente, que tal descobrir uma bandinha chamada… Black Sabbath? Não se preocupem que tudo fará sentido depois de lerem. Já amanhã, quando voltarem a ter uma LOUD! nas mãos, ao fim deste tempo todo. Seguimos juntos!

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