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Será que, sem a paixão de JON ZAZULA, os METALLICA alguma vez existiriam como os conhecemos?

Esta semana passaram dois anos desde que nos despedimos do incontornável JON ZAZULA, o homem que revelou os METALLICA ao mundo.

A morte de Jon Zazula, passado pouco mais de um ano sobre a morte da sua esposa, Marsha, falecida a 10 de Janeiro de 2021, permitiu a muitos descobrirem uma daquelas personagens que está por trás do pano, mas sem a qual muito seria diferente na carreira de vários artistas. O entusiasmo de Jonny Z, como era conhecido pelos amigos, pela música era real. Talvez por isso nunca tenha crescido tanto como outros agentes, ou colhido os louros que ficaram para outros.

Nas várias homenagens prestadas, nas várias histórias narradas, sobressai desde logo o retrato de Scott Ian, dos ANTHRAX. Querem um exemplo do que se passava à volta de Zazula no início dos 80s, e do seu espírito livre? No final de 82, no Rock & Roll Heaven”, quando Jon lhe tocou a maqueta «No Life ’Til Leather», dos METALLICA,ambos iniciaram um air guitar ao som de uma música que soava nova e fresca, recordou o músico.

Nesse momento, Jon Zazula confidenciou-lhe “Vou trazê-los para Nova Iorque, vamos gravar um álbum e, se ninguém pegar nele, começo uma editora para o lançar, e vocês serão a banda seguinte”. E assim, numa tarde de 1982, se falava de estabelecer uma nova editora e editar dois dos quatro nomes mais tarde conhecidos como Big Four.

É por isso que não se estranha quando os METALLICA, a propósito da morte de Jon, publicam algo como em 1982, quando ninguém queria apostar em quatro miúdos da Califórnia, a tocarem uma forma maluca de metal, o Jonny e Marsha a fizeram-no, e o resto, como se diz, é história. Na realidade, foi mesmo mais que isso.

Jon e a esposa penhoraram a própria casa para editar a tal banda de “quatro miúdos” em que acreditavam. Convidaram a banda para atravessar os Estados Unidos, de São Francisco até Nova Jérsia, hospedaram-nos na cave e ajudaram-nos a criar aquele que seria o disco de estreia do grupo, o incontornável «Kill’Em All».

Durante essa estadia, o grupo tocou em diversos clubes e ajudou a que as bandas de Nova Iorque entrassem numa vaga que já estava em crescimento na Bay Area. ANTHRAX e OVERKILL são apenas dois exemplos de bandas da costa Atlântica que foram tomadas por essa “forma maluca de metal”. Os Zazula foram mais que simples donos de uma editora. É por isso que o mesmo comunicado afirma que ele era um mentor, manager, chefe de editora e figura paternal para todos nós… Os Metallica nunca teriam sido o que são ou estar onde estão, sem o Jon Zazula e a sua esposa Marsha.

Numa forma de atestar o apreço do grupo pela família Zazula, o comunicado oficial diz que “o nosso amor e simpatia estão com os filhos de Jonny e os seus netos, que são acarinhados e convidados para os nossos concertos desde que usavam fraldas”.

Mesmo Lars fez questão de deixar uma nota pessoal de agradecimento, por lhes ter “dado uma sensação de pertencer e também de auto-estima”, concluindo que estará “para sempre agradecido pela amizade, conselhos e crença cega na música” que faziam e “que poderia ser partilhada como mais gente como eles… marginais e desalinhados”.

A história dos METALLICA é, como se sabe, longa, mas a gravação de «Kill ’Em All» e as semanas de duração do processo são épicas, incluindo a mais célebre história de todas, aquela em que Dave Mustaine é despedido e Kirk Hammett contratado, tendo de atravessar todo o país para se juntar ao grupo que preparava o disco de estreia.

Um gesto para que Jon Zazula contribuiu e que mostra que, apesar de todo o entusiasmo colocado no processo, possuía o discernimento necessário para criar uma editora fundamental nos anos 80. Foi, de resto, o mesmo Z que insistiu para que Kirk recriasse os solos de Mustaine nas faixas já compostas.

Também o primeiro fã club dos METALLICA, o Old Bridge Militia, que ainda hoje existe, mas com outros objectivos, foi criado com ajuda de Zazula. Joe Chimienti, um dos fundadores do clube, mantinha muitas vezes bandas da Megaforce em sua casa, fornecendo dormida, sala de ensaios e até mesmo alimentação. Depois de algum tempo com os elementos da banda em sua casa, Jon resolveu recorrer a Joe para os alojar, já que não conseguia gerir todo o processo com quatro elementos ruidosos dentro de portas.

Em declarações a Mick Wall, autor do livro ‘Endless Night: A Biography Of Metallica’, é o próprio Jon que admite, que apesar de ter criado a editora, “não sabia que nenhum dos distribuidores queria falar com eles. Acontece que o fizemos. Talvez pudesse ir falar com alguém da Metal Blade ou Shrapnel na Costa Oeste, mas este material era tão inovador que não sabia se alguém o iria perceber. Era como aquele tipo que não sabe se teve uma grande ideia ou alguma bem estúpida, e sabia que apenas havia uma única forma de descobrir”.

TESTAMENT, OVERKILL, ANTHRAX e METALLICA são alguns dos nomes que começaram carreira na editora de Jonny Z. Muitos outros nomes integraram também o seu rooster, ou operaram em dado momento com ele, como é o caso dos MINISTRY, por exemplo.